Lúcio Bernardo Jr. / Agência Brasília
GDF: Longe dos holofotes, Celina articula mudanças e alianças para novo mandato
Governadora mantém conversas reservadas sobre o secretariado, a presidência da Câmara Legislativa e a manutenção da base aliada para 2027
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), retornou a Brasília e passou a quarta-feira (4) sem compromissos públicos. Reeleita para mais quatro anos à frente do Palácio do Buriti, ela concentra as atenções na formação da equipe que assumirá o novo mandato em janeiro de 2027. As articulações também envolvem a disputa pelo comando da Câmara Legislativa e a manutenção dos partidos que apoiaram sua candidatura.
Mesmo sem agenda oficial, Celina mantém contato com integrantes de sua equipe. As conversas ocorrem por telefone e em encontros reservados na residência destinada à vice-governadoria, no Lago Sul, onde permanece instalada.
A discrição ocorre em um período de negociações por cargos e espaços no governo. A expectativa é que a governadora preserve parte dos secretários escolhidos após assumir definitivamente o Executivo, em março deste ano, com a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB).
Entre os nomes com possibilidade de permanência está o secretário de Economia, Valdivino José de Oliveira, responsável pela condução das finanças públicas. A área de segurança também não deve sofrer mudanças profundas, embora ainda não exista confirmação oficial sobre a composição do novo secretariado.
Comando da Câmara Legislativa está entre as prioridades
Além da organização administrativa, Celina acompanha as negociações para a escolha do próximo presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). O objetivo é evitar disputas internas que possam comprometer a unidade da base governista.
Dois aliados estão entre os interessados no comando da Casa: o atual presidente, Wellington Luiz (MDB), e o deputado distrital Eduardo Pedrosa (União Brasil).
A governadora já defendeu publicamente um entendimento entre os parlamentares. Em declaração feita após a eleição, afirmou que prefere uma solução negociada para impedir divisões entre os integrantes do grupo político.
A composição da próxima Câmara favorece as articulações do governo. Dos 24 deputados distritais eleitos, 17 pertencem a partidos de centro e de direita. A oposição contará com sete parlamentares.
Apesar da vantagem numérica, a definição da presidência da Casa será importante para a tramitação de projetos e para a relação entre os poderes Executivo e Legislativo.
Manutenção de alianças será desafio para 2027
Celina também pretende preservar a união dos partidos que participaram de sua campanha. A governadora venceu o segundo turno das eleições de 25 de outubro com 57,18% dos votos válidos, contra 42,82% de Leandro Grass (PT).
A vitória garantiu a continuidade de seu grupo político no comando do Distrito Federal para resolver os principais problemas como a situação do Banco de Brasília (BRB), que enfrenta dificuldades relacionadas às operações com o Banco Master.
Nesse cenário, o apoio da bancada federal do DF também será importante. A governadora precisará manter canais de negociação com o Congresso Nacional, o governo federal e o Judiciário.
A definição dos principais cargos do Executivo e a escolha da nova direção da Câmara Legislativa serão os primeiros movimentos políticos do mandato que começa em janeiro. Até lá, Celina busca organizar sua equipe e preservar os acordos que sustentaram sua reeleição.
Da Redação
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