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Na Lupa: Dois governos, nenhuma reeleição: desastre das gestões do PT-DF pesa contra Grass e vira trunfo de Celina para vitória no 1° turno

Desde as derrotas de Cristovam Buarque, em 1998, e Agnelo Queiroz, em 2014, o PT-DF não se renovou. Os quadros do partido permanecem praticamente inalterados, com a entrada ou a saída de um ou outro nome. Nesse ínterim, Leandro Grass chegou recentemente para ser candidato ao Palácio do Buriti, mas não inspira confiança em boa parcela da legenda, seja por ser um novato, seja pelo comportamento que, dizem as más línguas nas hostes da esquerda, é soberbo.

O problema é que Grass governaria o DF com a mesma velha guarda que participou de governos rejeitados nas urnas. Ou seja, embora tenha chegado há pouco tempo ao partido, o candidato petista administraria a capital ao lado de nomes que já demonstraram não ter preparo para comandar secretarias, administrações regionais e outros órgãos distritais. O resultado não poderia ser outro: pela terceira vez, Brasília passaria quatro anos mergulhada em uma gestão inerte, ideológica e ineficiente.

É por esse motivo que cresce a chance de a governadora Celina Leão (PP) vencer o pleito já no primeiro turno, após o indeferimento da candidatura do ex-governador José Roberto Arruda (PSD). O perfil do eleitor de Arruda é de centro-direita e dificilmente votaria na esquerda representada por Leandro. Fora isso, a própria esquerda se dividiu nesta eleição. Ricardo Cappelli (PSB) não se entende com Grass e, nos bastidores, dizem que reclama das pressões que sofreu, inclusive da cúpula do Palácio do Planalto, para abdicar de sua candidatura em favor do petista.

Celina representa a continuidade do que deu certo, como obras e infraestrutura, mas sem continuísmo. Por isso, ao assumir o governo, já retirou a festa de aniversário de Brasília da agenda e destinou à Saúde os recursos que seriam gastos com o evento, deixando transparecer que a reestruturação da pasta será sua prioridade em um novo mandato. Ademais, em cinco meses, vem saneando as contas públicas da cidade, que estavam no vermelho, e trazendo-as para o azul.

No BRB, vem trabalhando incansavelmente, inclusive diante das investidas contrárias do governo Lula, para reerguer o banco. Isso também pesa contra Leandro: seu próprio partido e o presidente da República não querem conceder o aval da União ao empréstimo de até R$ 6,6 bilhões destinado à capitalização do BRB, que seria uma política de Estado, não de governo. Pegou muito mal para Grass ter acenado positivamente quando o presidente disse que não daria o aval.

Entre manter o que estava dando certo, fazendo os devidos ajustes naquilo que precisa melhorar, e apostar pela terceira vez em um partido que fracassou outras duas vezes na condução da capital, a vitória da governadora no primeiro turno, daqui a uma semana, pode deixar de ser apenas uma possibilidade para se tornar realidade.

Da Redação

Fred Lima

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