Reprodução

Na Lupa: TSE barra Arruda e deixa três lições para a política do DF

O primeiro aprendizado que a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de manter a inelegibilidade do ex-governador José Roberto Arruda (PSD) traz à classe política é que dinheiro público é sagrado. As condenações por improbidade administrativa relacionadas à Operação Caixa de Pandora mostram as consequências de um esquema que envolveu desvio de recursos públicos e pagamento de propinas. Por trás desses recursos está o trabalho de contribuintes que, muitas vezes, passam 12 horas por dia trabalhando para sustentar a família e pagar seus impostos. A corrupção, além de lesar a população, traz graves consequências para o político que dela participa.

O segundo está na memória populacional. Pensando ser ainda um político imbatível nas urnas, mesmo 20 anos após disputar, de fato, uma eleição, Arruda subestimou a inteligência do povo e superestimou seu ego. Na política, “a soberba precede a queda”, como diz o famoso provérbio bíblico. Não houve nenhuma pesquisa de opinião pública que mostrasse o ex-governador liderando o levantamento fora da margem de erro. Pelo contrário, nas últimas amostragens, ele já estava distante da primeira colocada, a governadora Celina Leão (PP). Como seu último pleito foi em 2006, os jovens entre 16 e 22 anos não o conhecem.

O terceiro serve para os demais candidatos de oposição. Quem poupou Arruda e concentrou seus ataques na governadora, com o objetivo de obter o apoio do ex-governador após o indeferimento de sua candidatura, acabou caindo em um matadouro político. Quem diz que combate a corrupção e evita confrontar Arruda não passa de um oportunista político. É a velha política com botox para tentar parecer mais jovem e, assim, enganar o brasiliense, o que não colou. Embora exista um sentimento apolítico na sociedade, hoje ela está mais informada e percebe melhor as contradições do que nas décadas passadas.

Em 2014, quando desistiu da eleição cerca de três semanas antes do primeiro turno, Arruda afirmou que estava se despedindo da vida pública. A promessa não vingou. Quatro anos depois, seu nome voltou ao centro. Na época, o saudoso Jofran Frejat desistiu de sua pré-candidatura ao GDF em meio a pressões por espaços em um eventual governo. Nos bastidores, Arruda foi apontado como um dos responsáveis por interferir na campanha de Frejat. O ex-secretário de Saúde afirmou na ocasião: “Não vou vender minha alma ao diabo”.

Desta vez, a promessa descumprida há 12 anos poderá acabar sendo concretizada pelas circunstâncias. Arruda terá 80 anos em 2034, primeira eleição geral após 2030, ano até o qual, segundo o cálculo sustentado pelo Ministério Público Eleitoral, se estende sua inelegibilidade.

A corrupção produz vítimas, causa prejuízos à sociedade e pode destruir carreiras políticas. E, quando a conta chega, não há banho de arruda, por mais frequente que seja, capaz de servir de amuleto.

Da Redação

Fred Lima

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

erro: Content is protected !!