Foto: União Brasil
ELEIÇÕES 2026: Caiado lança pré-candidatura à presidência com críticas a Lula e foco na segurança
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), oficializou nesta quinta-feira, 4, em Salvador, sua pré-candidatura à Presidência da República. O evento foi marcado por duras críticas ao governo Lula (PT), com ênfase nas áreas de segurança pública, economia e articulação política. O lançamento contou com a presença do senador Sergio Moro (União Brasil-PR) e do ex-prefeito ACM Neto, mas teve ausências notáveis, como a do presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda.
Principal bandeira de sua gestão em Goiás, a segurança pública dominou o discurso de Caiado. Ele atacou a proposta de criação de um Sistema Único de Segurança Pública, prevista na PEC apresentada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. “Isso é dar poderes à bandidagem, para os faccionados. O Caiado desmascarou o presidente Lula na frente dele”, disse, referindo-se a um embate anterior com o chefe do Executivo federal.
Caiado também criticou a ideia de unificar bancos de dados das polícias estaduais com o Ministério da Justiça. Segundo ele, a medida representa centralização excessiva. “Lá de Brasília querer achar que o iluminado vai saber como acontece a criminalidade na Bahia, no Ceará… Isso é concentração de poder”, afirmou. O governador goiano repete em seu discurso que, em Goiás, o crime organizado foi desarticulado. “Ou o bandido muda de profissão ou muda de Estado”, declarou, repetindo o lema de sua campanha.
O evento teve tom eleitoral, mas também contou com atos simbólicos. Caiado recebeu o título de Cidadão Baiano e a Comenda 2 de Julho, concedida pela Assembleia Legislativa da Bahia. O cantor Gusttavo Lima, que recentemente desistiu de disputar a Presidência, não compareceu. Outros nomes de peso do União Brasil, como o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (AP), também estiveram ausentes.
Em sua fala, Caiado ampliou o escopo das críticas ao governo federal. Na economia, atacou a política de juros e responsabilizou Lula pelo repasse de obrigações aos entes subnacionais. “Implanta uma taxa de 14,25% e ainda joga a culpa nos Estados e municípios. Pelo amor de Deus, Lula, você não dá conta de governar”, disse.
O governador também atribuiu a queda na popularidade de Lula à falta de diálogo com os jovens. Citou pesquisa Quaest, divulgada nesta semana, que aponta desaprovação de 56% ao governo. “Ele acha que o jovem quer carteira assinada. Está enganado. O jovem está na TI, na inteligência artificial e no empreendedorismo.”
No campo político, Caiado criticou sem citar nomes a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. “Tem uma líder lá, foi colega nossa no Senado. Todo mundo sabe que a única característica que ela tem é não saber articular. É um elefante numa casa de louça.”
O senador Sergio Moro, que dividiu o palanque com Caiado, reforçou as críticas à segurança e à economia. Disse que o governo “transformou picanha em abóbora, depois em ovo, e agora não virou nada”. Moro também criticou o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e defendeu réus presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023. “Não se justifica colocar uma mulher que passou batom na estátua 14 anos na cadeia”, afirmou, em alusão à cabeleireira Débora Rodrigues.
Apoiador de Lula em 2022, o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, também esteve presente. Participaram ainda o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), o vice-governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), e o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ).
Além da segurança, Caiado mencionou saúde e educação, mas de forma pontual. A estratégia da campanha, no entanto, indica que o discurso contra o crime será central em sua tentativa de se consolidar como alternativa à polarização entre Lula e Bolsonaro.
Da Redação
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